O olhar crítico

John Dewey dizia que, se um grupo de alunos trocassem ideias, se dialogavam, nesta situação se exaltava a verdadeira Educação. Desta forma, como amante da Educação, resolvi expor meus trabalhos acadêmicos, bem como outros textos, afim de contruir uma realidade mais crítica para a progressividade educacional.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

PENSAMENTO ANTROPOLÓGICO

Entende-se por antropologia (cuja origem etimológica deriva do grego άνθρωπος anthropos, (homem / pessoa) e λόγος (logos - razão / pensamento) a reflexão do homem e de sua natureza. Desta forma, a tarefa da Antropologia, é o questionamento acerca do homem, do lugar que o mesmo ocupa no universo e de sua função como fazedor da história e criador de culturas.

“Não é possível fazer uma reflexão sobre o que é a educação sem refletir sobre o próprio homem. Por isso, é preciso fazer um estudo filosófico-antropológico” (FREIRE, 1983). Desde os tempos mais remotos, quando o homem se espantou com a natureza e com tudo o que nela existia, incluindo a si próprio, este nunca mais deixou de ser estudado, admirado e ainda hoje incognoscível.

Quem primeiro se inclinou a estudar o homem foi Sócrates, filósofo grego do final do século V e IV a.C., que dizia “Conhece-te a ti mesmo”. “Enquanto as maneiras de ser ou de agir de certos homens forem problema para outros homens, haverá lugar para uma reflexão sobre essas diferenças que, de forma sempre renovada, continuará a ser o domínio da antropologia” (ALVES, 2006 apud STRAUSS, 2000). A definição mais comum a se perpetuar por mais tempo foi a de que o homem é um animal racional, defendida por muitos filósofos importantes de gerações passadas como: Descartes, Spinoza, Kant, Hegel e outros. Mas muito já mudou, e hoje são muitas as definições que temos, baseadas em características do homem. Como a de que este é um ser livre, segundo Sartre; para Gabriel Marcel, um ser problemático; para Luckmann, um ser religioso.

Dentre as diversas culturas mundiais, há várias concepções sobre o homem. A seguir estão as três principais visões sobre o homem:

- visão racional do homem: de acordo com essa visão, o que mais distingue o homem dos demais animais é o fato de que ele é um ser racional. A razão é o orgulho e glória para o homem. O homem inteligente é o homem virtuoso. Conhecer o que é certo é praticá-lo.

- visão religiosa do homem: para a tradição judeu-cristã o homem é compreendido, inicialmente, do ponto de vista de sua origem divina. Ele é um ser criado por Deus a sua imagem e semelhança. O homem se situa onde a natureza e o espírito se encontram. Sua consciência está sempre lhe lembrando que ele deve e é capaz de produzir o bem, pois o bem é aquilo que tem valor para a pessoa. No islamismo, é a orientação de Deus que dá ao homem coragem para enfrentar os problemas diários. O dever do homem é observar as leis divinas e submeter-se à vontade do Deus único (Alá). Para o hinduísmo, o homem deve apoderar-se da vida eterna que é indestrutível e imperecível. E para o budismo, a existência humana é em termos uma migração para a outra vida.

- visão científica do homem: o homem é tido como a mais complexa forma de vida e pode ser entendido pelas mesmas leis que governam todas as outras matérias.

Para Paulo Freire o homem é entendido como um ser que se faz, em suas relações no mundo, com o mundo e com os outros, pelo trabalho livre, graças ao exercício de sua condição de ser criativo e curioso. Possui alta potencialidade para se desenvolver enquanto vive em equilíbrio na sociedade.

Um comentário:

  1. Bom-dia
    Respondo pelo nome de Sérgio Fernando mabjaia, estudante de antropologia da Universidade Eduardo Mondlane.
    Aqui trago um testo pertencente a autora Ângela Cheater que por sua vez é de grande valia para o pensamento antropológico.

    Cheater, Ângela. 1990. “Introdução as Ideias Antropológicas e aos Métodos de Trabalho Da Disciplina: Alinhavadas Teóricas”. Texto de Apoio do DAA- UEM. Maputo. DAA- UEM. Pp.(1-26).

    Segundo a autora em destaque, a antropologia nasceu no século XIX. Sua designação original na França e na Grã-Bretanha foi "etnologia". Ainda segundo a autora, o primeiro ensino formal da disciplina começou na Universidade de Oxford em 1884, com a primeira cadeira honorária Britânica de antropologia criada na Universidade de Liverpool em 1908, para a qual Sir James George Frazer foi apontado (p. 1).
    Ainda segundo a autora As raízes Gregas de antropologia (antro pôs e 'logos' sugerem que a mesma é o estudo do homem". Contudo, a autora comenta que, esta trans-tradução é muito vasta para ser usada como uma definição académica. Pois, segundo a autora, muitas disciplinas universitárias estudam o homem de uma maneira ou de outra (p. 1).
    Mas para uma maior compreensão da antropologia, a autora nos convida a voltarmos ao século 18. Onde a autora diz que, foi através do iluminismo que durante este século os europeus viajam, passam a conhecer outras partes do mundo e passam a ter necessidades de explicar as diferenças e ai passamos a compreender porque que a antropologia tem esta marca. Isto é, porque e que os outros são tão diferentes. Surge a partir do Registro destas diferenças ao nível dos intelectuais europeus. Estas diferenças são encaradas como problemáticas, a autora salienta que, as explicações que os europeus deram no século 18 foram muito variadas. Por exemplo a visão romântica associada a Rousseau, onde se nos e apresentado o selvagem nobre e autora apresenta o Thomas Hobbes, que ilustra o selvagem bruto e agressivo. Estas duas imagens apresentadas pela autora eram colocadas em comparação com a vida do europeu. Continuando, a autora refere que, existem duas visões que aparecem a romântica e a progressista. Segundo a autora a visão romântica perde espaço para a progressista que defende a ideia que a Europa tinha experimentado o progresso através da mudança, cujo estas mudanças aviam sido benéficas para a sociedade moderna da altura e estas mudanças eram vistas como cumulativas. A autora diz que, é desta noção do progresso do século 18 que surge o etnocentrismo europeu. E no século 19 vai ser apresentado em termos de esquemas de evolução social e os europeus vão ser colocados no topo desta escala de evolução. E assim nascia a ciência antropológica segundo a autora (p. 1).

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